A Vida

As vezes a vida te leva por lugares pelos quais você nunca desejou passar. As vezes ela te mostra por onde você deve passar. Tem dias, em muitos deles, que fico revoltada com a quantidade de vezes que sou forçada a mudar de rota. Mas muitas vezes a vida te parece um sussurro gostoso que diz a você como está orgulhosa de suas decisões.  E como você encarou com firmeza as dificuldades que ela te impôs. Então sem aviso ela te olha de frente, como sempre fez, e te faz enxergar as minuciosas chances das quais você abriu mão, só para que você saiba que ela não foi tão cruel e sagaz quanto você imagina. E que houve tanto tempo do qual você simplesmente se desfez. Então esbraveja contra você com a fúria de uma natureza enfurecida a muitos anos. Grita e deriva os impropérios mais diversos.  Você recolhe em insignificância toda a empáfia que estufava o peito flamejante que te abrigava, olha para frente e para trás buscando o próximo passo. E nada, simplesmente nada.

O caminho pelo qual você devia passar já se foi, as portas e janelas estão cerradas, lacradas, encadeadas, perdidas. Mas o momento desesperador começa esvair-se lentamente, como um rio que limpa seu leito dia a dia. E você corre. Corre, corre, e corre. Sempre em frente, até que ela se convença de que você está pronto(a) para uma nova porta. Uma nova chance.

Começa então a reconstrução dos alicerces internos. Quando você acha que não esta boa, quebra e constrói novamente. Como casinhas de Lego, porque agora você é como as pequenas crianças fazendo e refazendo seu mundo. Até que ele lhe caiba suficientemente para que você consiga andar sem escorregar, sem esvaziar-se de todo e qualquer sentimento que realmente valha a pena. Agora, nessa hora você finalmente está pronto(a) para caminhar ao lado da vida, não contra ela.